Entenda: filhos carregam células da mãe por toda a vida, aponta estudo

Fenômeno começa ainda na gestação e pode influenciar o sistema imunológico por décadas.

A relação entre mães e filhos pode ir além do vínculo emocional. Um estudo científico aponta que, ao longo da vida, filhos carregam no próprio corpo células que vieram da mãe ainda durante a gestação e que permanecem no organismo por décadas.

Essas células convivem com as demais estruturas do corpo sem serem atacadas pelo sistema imunológico, o que chamou a atenção de pesquisadores.

Foto: Getty Images
Filhos carregam células da mãe por toda a vida, aponta estudo.

🧬 Como essas células passam da mãe para o filho

Durante a gravidez, a placenta não funciona apenas como proteção. Ela também permite a troca de pequenas quantidades de células entre mãe e bebê.

Parte das células maternas consegue atravessar essa barreira e se instalar em diferentes tecidos do feto. Esse fenômeno é conhecido como microquimerismo materno.

Na prática, isso significa que uma pessoa pode carregar células com o DNA da mãe ao longo de toda a vida, algo que não é perceptível no dia a dia, mas que acontece de forma natural.

🛡️ Por que o organismo não rejeita essas células

Em geral, o sistema imunológico reage a qualquer elemento considerado estranho. Mas, no caso das células maternas, o corpo aprende a não atacá-las.

Isso acontece porque essas células ajudam a ativar um tipo específico de defesa que controla reações exageradas do organismo.

Elas estimulam células chamadas de “reguladoras”, que funcionam como um freio do sistema imunológico, evitando que o corpo reaja de forma agressiva contra algo que não representa ameaça.

🔬 O que os cientistas descobriram

Para entender melhor esse processo, pesquisadores realizaram estudos em laboratório com animais.

Os testes mostraram que, quando essas células maternas eram removidas, o organismo passava a reagir contra o que antes era tolerado. Isso indica que elas têm papel importante na manutenção do equilíbrio do sistema imunológico.

Ou seja, essas células ajudam o corpo a reconhecer o que deve ou não ser combatido.

📊 O que isso pode significar na prática

Apesar de ainda estar em fase de estudo, o fenômeno pode ajudar a explicar diversos aspectos da saúde humana.

Entre as possíveis implicações estão:

  • maior compreensão sobre como o corpo aceita órgãos transplantados
  • influência no desenvolvimento ou proteção contra doenças autoimunes
  • participação em processos de regeneração e reparo de tecidos
  • Os cientistas também investigam se essas células podem ter relação com algumas condições de saúde ao longo da vida.

🔎 O que ainda não se sabe

Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que ainda existem muitas perguntas em aberto.

Ainda não está totalmente claro, por exemplo, como essas células se comportam ao longo dos anos ou de que forma podem influenciar diretamente doenças.

Mesmo assim, a descoberta reforça o quanto o corpo humano é complexo e mostra que a conexão entre mãe e filho pode existir também em nível biológico, muito além do que se percebe no dia a dia.

Leia também