Senado aprova aumento de pena para violência contra mulheres com uso de tecnologia
Crimes que envolvem manipulação de imagem ou voz da vítima poderão ter punição mais severa.
O Senado aprovou, nesta quarta-feira (19), um projeto de lei que endurece a pena para violência psicológica contra mulheres quando há uso de tecnologia para manipular a imagem ou a voz da vítima. O texto agora segue para sanção presidencial.
Na prática, a proposta altera o Código Penal para aumentar em até 50% a pena do crime de violência psicológica contra a mulher caso o agressor utilize inteligência artificial ou qualquer outro tipo de tecnologia para alterar falas ou imagens da vítima. Atualmente, a punição prevista para esse crime varia de seis meses a dois anos de prisão.

A violência psicológica ocorre quando uma mulher é ameaçada, humilhada, perseguida ou sofre controle abusivo por parte do agressor, causando danos emocionais e afetando sua liberdade. O uso de tecnologia pode potencializar esse tipo de crime, já que conteúdos manipulados podem ser usados para chantagear, constranger ou expor a vítima.
Com o avanço da inteligência artificial, casos de deepfake — vídeos manipulados para simular falas ou ações que nunca aconteceram — têm se tornado mais comuns, assim como edições de áudios para dar a entender que a vítima disse algo que não disse. Essas práticas podem causar prejuízos psicológicos graves e dificultar a defesa da mulher em casos de violência.
A proposta foi apresentada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e relatada no Senado pela senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), que destacou a importância da medida para combater esse novo tipo de agressão.
Caso o projeto seja sancionado pelo presidente, a nova regra entrará em vigor e passará a valer para todos os casos do tipo no Brasil.