Empresas terão que mapear estresse e assédio no trabalho a partir de abril
Mudança na norma de segurança do trabalho exige avaliação de riscos psicossociais.
Ambientes de trabalho com excesso de pressão, jornadas longas, cobranças abusivas ou relações tóxicas podem afetar profundamente a saúde mental dos trabalhadores. Pensando nisso, o Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu uma nova exigência: a partir de 26 de abril de 2025, todas as empresas do país deverão incluir os chamados riscos psicossociais na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
A mudança faz parte da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e obriga os empregadores a identificarem e prevenirem fatores como estresse, assédio moral, sobrecarga emocional e outras condições que impactam o bem-estar dos profissionais.

Segundo o médico do trabalho Saulo Cerqueira de Soares, do Hospital Universitário da UFPI (HU-UFPI/Ebserh), as doenças ocupacionais variam de acordo com a área de atuação. “Na saúde, a sobrecarga pode resultar em burnout. Já na indústria, há risco de lesões por esforço repetitivo. No setor corporativo, dores posturais e fadiga ocular são agravadas pelo estresse”, explicou.
Ele destaca ainda que medidas simples, como pausas ativas e ergonomia, ajudam a reduzir tensões, melhorar a circulação e prevenir o esgotamento físico e mental.
A nova norma também incentiva as empresas a adotarem políticas de equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Investir na saúde dos colaboradores não é apenas uma exigência legal, mas uma estratégia inteligente que melhora a produtividade e reduz afastamentos”, reforça Cerqueira.
Com a regulamentação, a expectativa é que mais organizações implementem ações voltadas ao bem-estar e saúde mental dos funcionários. “O profissional moderno busca um propósito alinhado aos seus valores. As empresas precisam ir além dos benefícios tradicionais e apostar em qualidade de vida e reconhecimento”, conclui o médico.