Escolaridade dos trabalhadores cresce no Piauí, mas estado ainda tem um dos menores índices do país
Em 2025, 61% dos ocupados tinham pelo menos o ensino médio; número era de 35,8% em 2012.
O nível de escolaridade dos trabalhadores do Piauí apresentou avanço significativo na última década, mas o estado ainda aparece entre as unidades da Federação com os menores indicadores do país. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram mudanças importantes no perfil educacional da população ocupada.
Em 2025, 61% das pessoas ocupadas no Piauí tinham pelo menos o ensino médio, enquanto, em 2012, esse percentual era de 35,8%. Apesar do crescimento, a proporção ficou abaixo da média nacional, que chegou a 68,5% no mesmo ano.
Mais trabalhadores com ensino superior
O avanço também aparece nos níveis mais altos de escolaridade.
A parcela de trabalhadores com ensino médio completo e superior incompleto passou de 26,6% em 2012 para 39,3% em 2025.
Já entre aqueles que concluíram o ensino superior, o percentual mais que dobrou no período: saiu de 9,2% para 21,7%.
Mesmo com a evolução, o Piauí registrou o sexto menor percentual entre os estados e o Distrito Federal em 2025.
No topo do indicador estavam o Distrito Federal, com 82,4%, São Paulo, com 76%, e Roraima, com 75,1%. Os menores percentuais foram registrados no Pará (55,2%), Paraíba (58,4%) e Maranhão (59,6%).
Estado tinha 1,32 milhão de pessoas ocupadas
A pesquisa também traçou um retrato do mercado de trabalho piauiense. Em 2025, o estado tinha aproximadamente 1,32 milhão de pessoas ocupadas.
Desse total, cerca de 380 mil trabalhavam por conta própria, o equivalente a 28,7% dos ocupados.
Entre os trabalhadores autônomos, aproximadamente 46 mil tinham registro no CNPJ, representando 12,2% desse grupo.
Embora o percentual ainda seja baixo, houve crescimento expressivo ao longo da série histórica. Em 2012, apenas 4,6% dos trabalhadores por conta própria tinham CNPJ. Em 2025, a proporção chegou a 12,2%, quase três vezes mais.
Ainda assim, o índice colocou o Piauí na segunda menor posição do Nordeste e na sexta menor entre todas as unidades da Federação.
A média brasileira foi de 27,1%. Santa Catarina apresentou a maior proporção, com 41,4%, seguida por São Paulo (39,4%) e Distrito Federal (36,8%).
Número de trabalhadores sindicalizados diminui
Outro indicador levantado pelo IBGE mostra uma redução na quantidade de trabalhadores piauienses associados a sindicatos.
Em 2012, aproximadamente 314 mil pessoas ocupadas eram sindicalizadas no estado. Em 2025, esse número caiu para cerca de 204 mil, uma redução de aproximadamente 35%.
A taxa de sindicalização passou de 23,7% para 15,4% no período.
Apesar da queda em relação a 2012, o Piauí apresentou, em 2025, a segunda maior taxa de sindicalização entre as unidades da Federação, ficando atrás apenas do Distrito Federal, que registrou 16,3%.
O Maranhão apareceu na sequência, com 12,2%. As menores taxas foram observadas no Amazonas (4,7%), Amapá (5%) e Roraima (5,1%).
Cenário mostra avanços e desafios
Os números do IBGE revelam, portanto, um aumento importante da escolaridade entre os trabalhadores piauienses nos últimos anos, especialmente na parcela que chegou ao ensino médio e ao ensino superior.
Ao mesmo tempo, os indicadores de escolaridade, formalização dos trabalhadores por conta própria e participação sindical mostram que o estado ainda apresenta diferenças relevantes em relação às médias nacionais e permanece entre os últimos colocados em alguns desses indicadores.
