Gestantes receberão suplementação de cálcio para evitar eclâmpsia
Essa mudança faz parte de um novo protocolo que visa reduzir a morbimortalidade materna e infantil.
A partir de agora, todas as gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem iniciar a suplementação de cálcio a partir da 12ª semana de gestação, com a ingestão diária de dois comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg, até o parto. Essa mudança faz parte de um novo protocolo que visa reduzir a morbimortalidade materna e infantil no Brasil, com ênfase na diminuição das disparidades entre a população negra e indígena, que têm sido as mais afetadas pela hipertensão durante a gestação.
A recomendação do Ministério da Saúde segue as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que, desde 2011, já recomendava a suplementação de cálcio para gestantes com baixo consumo desse micronutriente ou com risco de desenvolver pré-eclâmpsia. A novidade agora é a prescrição universal, independentemente do risco identificado, devido às evidências de que muitas mulheres no Brasil consomem menos da metade da quantidade diária recomendada de cálcio. A suplementação diária de 1.000 mg de cálcio elementar é suficiente para ajudar a regular o metabolismo e manter a pressão arterial em níveis normais, prevenindo complicações graves.
Contudo, as gestantes devem ficar atentas à forma de ingestão desses suplementos, já que o cálcio e o ferro devem ser tomados em horários diferentes para garantir sua melhor absorção. Em casos de gestantes com histórico de hipertensão ou outros fatores de risco, como obesidade ou gravidez múltipla, o acompanhamento médico deve ser intensificado, e o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) pode ser indicado em conjunto com o cálcio.
O caso recente da cantora Lexa, cuja filha faleceu após parto prematuro causado por pré-eclâmpsia, trouxe à tona a importância da prevenção e do acompanhamento cuidadoso durante a gravidez.