Piauí ganha quatro novos registros na “Lista Suja” do trabalho escravo; veja os nomes
Novas inclusões estão relacionadas a fiscalizações realizadas em 2025 e 2026.
O Piauí passou a ter dez empregadores inscritos na chamada “Lista Suja” do trabalho análogo à escravidão após a atualização divulgada nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O estado recebeu quatro novas inclusões, relacionadas a fiscalizações realizadas em 2025 e 2026.
Os quatro novos registros envolvem 50 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão. As ocorrências estão relacionadas a atividades como extração de pedras e outros materiais para construção, construção civil, produção de carvão vegetal e serviços agrícolas.
Com a atualização, os dez empregadores atualmente cadastrados no Piauí somam 101 trabalhadores envolvidos em casos de trabalho análogo à escravidão.
As fiscalizações que resultaram nos registros contaram com a atuação de auditores-fiscais do trabalho e, conforme cada operação, tiveram participação de instituições como Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União.
Casos identificados no estado
Entre os casos que deram origem às novas inclusões está o de 20 trabalhadores encontrados em Francinópolis, em abril de 2026. Eles atuavam em atividades de extração mineral e em uma obra de pavimentação e, segundo a fiscalização, estavam alojados em condições inadequadas e recebiam remuneração inferior ao salário mínimo.
Em junho deste ano, dois trabalhadores foram encontrados em uma carvoaria em Uruçuí. A estrutura utilizada como alojamento ficava em meio à vegetação e não possuía condições adequadas de proteção, banheiro, água encanada e armazenamento de alimentos.
Outro caso ocorreu em Palmeira do Piauí, em dezembro de 2025, quando 23 trabalhadores foram resgatados durante atividade de catação de raízes em uma fazenda de soja. Já em novembro do mesmo ano, cinco trabalhadores foram encontrados em uma pedreira em Caldeirão Grande do Piauí.
Como funciona a “Lista Suja”
O Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão é atualizado semestralmente pelo Ministério do Trabalho. A inclusão ocorre somente depois da conclusão do processo administrativo e de uma decisão definitiva sobre a autuação.
Após entrar no cadastro, o nome permanece publicado por dois anos. Na atualização de outubro, 151 empregadores deixaram a relação por terem completado esse período.
A chamada “Lista Suja” existe desde 2003 e tem como objetivo dar transparência às ações de fiscalização e combate ao trabalho análogo à escravidão. O STF considerou constitucional a manutenção do cadastro e classificou sua publicação como instrumento de transparência da Administração Pública.
No Brasil, a atualização de outubro acrescentou 82 novos empregadores, envolvendo 553 trabalhadores. O Piauí ficou entre os estados com maior número de novas inclusões, ao lado de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul, todos com quatro registros.