Forte chuva provoca alagamentos, queda de árvore e transtornos em Pedro II

Defesa Civil alerta para riscos em áreas afetadas; previsão indica mais temporais nos próximos dias.

A forte chuva que atingiu Pedro II, no Norte do Piauí, na noite de quinta-feira (27), provocou uma série de transtornos para moradores da cidade. Ocorrências de alagamentos, queda de árvore, buracos em vias públicas e risco estrutural em residências. A cidade registrou um acumulado de 33,7 milímetros de chuva.  

Os problemas foram registrados em diferentes pontos da cidade. No bairro São Francisco, uma casa ficou ameaçada pelo acúmulo de água, que invadiu o imóvel. Na Avenida Coronel Cordeiro, a força da enxurrada abriu buracos na pista, aumentando o risco de acidentes para motoristas e motociclistas.

Foto: Reprodução/ Divulgação
Forte chuva provoca alagamentos, queda de árvore e transtornos em Pedro II.

No bairro Cristo Rei, moradores relataram que uma correnteza se formou em uma área crítica da região, dificultando a passagem de pedestres e veículos. Já na PI-477, uma árvore caiu e bloqueou parte da estrada, exigindo a remoção para a liberação do trânsito. Apesar dos transtornos, não há registros de feridos.

O que causou o temporal?

A coordenadora da sala e climatologista da Semarh, Sara Cardoso,  explicou ao Correio Piauiense que, o fenômeno foi resultado da atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um dos principais sistemas meteorológicos responsáveis pelas chuvas no Nordeste.

“A ZCIT está muito bem configurada, trazendo chuvas intensas para a região Norte do Piauí. Os acumulados na microrregião de Campo Maior – onde Pedro II está inserida – devem ultrapassar os 100 mm até o dia 4 de março. A previsão indicava que os temporais mais fortes ocorreriam a partir do dia 28, mas o fenômeno se antecipou algumas horas”, afirmou a especialista.

Foto: Luis Fernando Amaranes/ Correio Piauiense
Climatologista, Sara Cardoso.

Segundo ela, além das condições meteorológicas, o relevo da cidade também influenciou o impacto das chuvas. “Pedro II tem áreas mais elevadas, mas o formato do terreno direciona a água para pontos mais baixos, aumentando o volume e a força da enxurrada. Isso explica porque algumas áreas registraram alagamentos expressivos”, detalhou.

A climatologista também apontou que a urbanização acelerada da cidade tem intensificado os impactos das chuvas. “No passado, Pedro II tinha mais áreas verdes e menos pavimentação. O solo absorvia melhor a água da chuva, reduzindo o escoamento superficial. Com o aumento das ruas asfaltadas e o crescimento da cidade, a água encontra menos pontos de infiltração e escoa com mais força, causando enxurradas e erosão”, explicou.

Ela reforçou a importância de um planejamento urbano sustentável para minimizar os efeitos das chuvas intensas. “A expansão das cidades precisa levar em conta a drenagem da água. É necessário investir em mais áreas permeáveis, sistemas de captação e canais de escoamento para reduzir os transtornos causados por temporais”, completou.

Previsão: mais chuva nos próximos dias

A previsão meteorológica indica que os temporais devem continuar em Pedro II e região nos próximos dias. Segundo Sara Cardoso, os modelos climáticos apontam acumulados significativos até o dia 4 de março.

“Estamos em um período do ano em que as chuvas são mais frequentes e intensas. Março e abril são os meses mais chuvosos para essa região, então os moradores devem continuar atentos. O padrão atual indica que novas precipitações expressivas podem ocorrer a qualquer momento”, alertou.

Orientações para a população

Diante do cenário, a Defesa Civil do Piauí faz algumas recomendações para evitar acidentes durante as chuvas:

  • Evite transitar de moto ou bicicleta em vias alagadas;
  • Mantenha distância de árvores durante temporais;
  • Desconecte aparelhos eletrônicos da tomada para evitar danos causados por raios;
  • Observe rachaduras em paredes e estruturas de madeira, pois podem indicar risco de desabamento;
  • Em caso de falta de energia, prefira o uso de lanternas em vez de velas, para evitar incêndios.

A Defesa Civil segue monitorando a situação e pede que moradores em áreas de risco acionem os órgãos competentes em caso de emergência: Defesa Civil: 199 e Corpo de Bombeiros: 193.

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